domingo, 8 de janeiro de 2012

O (Quase) Curioso Caso de Benjamin Button.

São 19h00min. O rádio está ligado na estação problemática. Deslizes sonoros acontecem o tempo todo. O vento bate na janela, penso eu, o quanto estou perdendo. Descubro que tenho um tempo decrescente. Tenho 19 horas de vida. Sinto um calafrio, eu sempre temi pelo tempo. Me vejo tão arruinada. Mas já são 18h50min. Eu tenho que fazer o que não fiz em uma vida. Tenho horas de experiências, assim adquiri uma certa idade. O tempo é curto, não se escuta, não se fala, não há comunicação. Começo a ler, como, bebo, ando, já são 15h00min. Estou vivendo para não mais perder meu tempo. Resolvo entender a política, procuro a voz que tanto me falta, alguém de longe me olha, condenando a mim. Pego minha caneta, esta azul, logo prefiro a vermelha. Começo a escrever, já são 13h00min. O ônibus passa, tento pegá-lo, mas está inalcançável. Padeço sobre a calçada e abro a caixa do correio. Contas ali encontro, jogo-as para que o vento as leve. Cansei de ser roubada, enganada, de só pagar e nenhum retorno eu tenho. São 11h00min. estou ligando a TV, não vejo nada além de imagens de um povo sem voz. Ou melhor, um povo que não quer ter voz. Desligo-a, porque essa verdade me atinge. Também não quis ter voz. São 9h00min. Deito-me. Fecho os olhos e penso no quanto eu devia ter participado de algumas coisas. Já são 7h00min. Eu pego no sono, arrependida de não ter feito o que queria fazer. Com a certeza de que não irei acordar, meu tempo se esgotará. O celular desperta, são 5h30min. Permanecerei em minha cama, tão quentinha e confortável. Prezo pelo tempo e sussurro minha última palavra: viva. São 5h00min. Blefando eu fecho os olhos novamente e me desligo. ADEUS TERRA.

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