segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Lixando.

O lixo que você joga saiu da sua mão.
O lixo que você joga na rua saiu de sua ação.
O lixo do lixeiro é o mesmo que o seu.
O lixo desperdiçado é sugado pelo bueiro.
O lixo do bueiro permanece em frente à sua casa.
O lixo jogado nas ruas vêm das suas lamentáveis atitudes.
O lixo podre é podridão de quem o joga.
O lixo seu é o mesmo que o meu.
O lixo da vizinha pode feder mais que o meu.
Mas o lixo tem casa.
Não a nossa casa.
Mas a sua casa.
O que custa jogar lixo no lixo?
Lixo são restos de uma sociedade sem perdão.
Lixo da sua calçada é também a sua condenação.
Lixo é no lixo. Ousadia de quem não o dá moradia.
Lixo quando não útil se torna dispensável a qualquer hora.
Lixo do caminhão de lixo é aquele que você "perdeu".
Ache o lixo no lote lindeiro que você viu.
Carregue-o até seu lar.
Lixo não pode ficar em qualquer lugar.

Suave desabafo.

Compreendo o incompreensível.
Disfarço com o constrangimento.
Perco a cabeça com o devaneio.
Liberto a magra magia.
Da qual não tenho vínculo nenhum.
Bate um leve desespero.
Atingiu a você.
Rochas são mais que pedras.
Criatura é a maior criação.
Olhares é a melhor visão.
Indefinido é o definido.
Dane-se as regras que não são regras.
Junte-se aos amplos salgueiros.
E verás que ainda te vejo.
Não de longe tão perto.
Mas de um constante não tão longe.
De um meio caminho.
Aquele que nos perdemos.
Por simples ambições.
Presentes não mais ausentes.
Mas que ainda não estão presentes.
Realidade é a mais pura verdade.
Desvios são as poucas meias verdades.
Entretidos em meia sociedade.
Cheia de cuspe.
Cheia de nada.

Pensamentos refletidos...

Hoje palavras me faltaram.
Pensei que não conseguiria.
Quase admiti minha impotência.

E quando pensei que tudo tinha acabado.
Vejo a mais profunda vontade.
Me perguntei um significado para isso.
Não encontrei, nem poderia.
Pois o que chamamos de incapacidade.
É um incentivo irradical.
Eu preciso escrever.
Eu preciso ler.

Gosto de falar com o que eu conheço.
Como, também, gosto de cumprimentar o desconhecido.
Me cobro por não dizer mais.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Trajes.

O show circense começa. O palhaço se veste de pirraça, e o espetáculo se resume em muitas caras pintadas. Quando o elefante aparece, vestido de prisioneiro, nele a graça fica estagnada. Se escuta os mais altos risos e as mais imagináveis melodias. A luz ilumina a odalisca por intermédio da estrutura organizada.
A flauta vestida de sons nos relaxa, o ar esboçado aguça a plateia. Mediante a isso, vozes voam vestidas de palavras tão poucas expressadas. O exposto veste a nudez, o portão veste o fim. A solidão veste o egoísmo que veste a raiva. As raízes trocam de folhas vivas a todo instante. O mar se veste de infinidade. O sol se veste de esperança, a lua se veste do homem. A areia se veste dos pés. Os cabelos se vestem dos hidratantes, mas bem como antes, ainda persistem nos couros. A boca se veste de informação, o nariz de expiração. O amor se veste de pessoas. Personalidade se veste de atitude. A investida se veste com o "tente outra vez". O violão se veste com as notas musicais, essas que são usadas nos vocais. O mundo se veste de um manto universal que está além de qualquer traje já visto.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Falares...

Falar o que?
O som que você não quer ouvir?
Ou a sílaba tônica sem ênfase?
Fonemas indecisos rodeam os passageiros...
Passageiros esses que não possuem visto para o litoral...
Litoral esse tão ideal...
Ideologia essa que eu quero viver...
Vida essa órfã de Cazuza...
Cazuza esse que jamais deixarei de lembrar...
Lembranças essas que não presenciei...
Presença essa trocada por sua música...
Música essa que faz parte do show...
Show que termina quando clareia o dia.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Mudanças...

"Tudo como antes." Talvez seja essa a questão. Nada mudou. Foram tentivas em vão. Ninguém está se doando para o ato, esquecemos de como é ficar sem o outro, e por isso, não estamos dando o valor necessário para o sustento de tudo. Estamos caminhando para um lugar já conhecido. Estou tentando desviar ao máximo, mas o equilíbrio exige a doação de ambos os lados. Talvez o que eu ache, você não goste e o que você acha eu não gosto. Ninguém é perfeito. Nós teremos que escolher se iremos investir. Paro por aqui, não quero terminar esse assunto em palavras lidas, e sim, faladas.

domingo, 8 de janeiro de 2012

O (Quase) Curioso Caso de Benjamin Button.

São 19h00min. O rádio está ligado na estação problemática. Deslizes sonoros acontecem o tempo todo. O vento bate na janela, penso eu, o quanto estou perdendo. Descubro que tenho um tempo decrescente. Tenho 19 horas de vida. Sinto um calafrio, eu sempre temi pelo tempo. Me vejo tão arruinada. Mas já são 18h50min. Eu tenho que fazer o que não fiz em uma vida. Tenho horas de experiências, assim adquiri uma certa idade. O tempo é curto, não se escuta, não se fala, não há comunicação. Começo a ler, como, bebo, ando, já são 15h00min. Estou vivendo para não mais perder meu tempo. Resolvo entender a política, procuro a voz que tanto me falta, alguém de longe me olha, condenando a mim. Pego minha caneta, esta azul, logo prefiro a vermelha. Começo a escrever, já são 13h00min. O ônibus passa, tento pegá-lo, mas está inalcançável. Padeço sobre a calçada e abro a caixa do correio. Contas ali encontro, jogo-as para que o vento as leve. Cansei de ser roubada, enganada, de só pagar e nenhum retorno eu tenho. São 11h00min. estou ligando a TV, não vejo nada além de imagens de um povo sem voz. Ou melhor, um povo que não quer ter voz. Desligo-a, porque essa verdade me atinge. Também não quis ter voz. São 9h00min. Deito-me. Fecho os olhos e penso no quanto eu devia ter participado de algumas coisas. Já são 7h00min. Eu pego no sono, arrependida de não ter feito o que queria fazer. Com a certeza de que não irei acordar, meu tempo se esgotará. O celular desperta, são 5h30min. Permanecerei em minha cama, tão quentinha e confortável. Prezo pelo tempo e sussurro minha última palavra: viva. São 5h00min. Blefando eu fecho os olhos novamente e me desligo. ADEUS TERRA.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Diversidade.

Aposto que seu cabelo não é igual ao meu, é?
Loiro, ruivo, preto, azul, mesclado?
E sua pele?
Pardo, negro, branco?
E as músicas? Cada banda, cada voz, cada guitarra, cada um com seu estilo, personalidade predominante... e você? Ainda acredita na aquarela brasileira?
Sexualidade é para ser discutida de modo a despertar ignorância?
A diversidade é enorme, hoje, ser hétero é ser diferente.


Não adianta lutarmos contra nossa própria espécie.

Deixo claro que aqui o intuito não é despertar preconceito em relação a nada. Só quero mostrar o que realmente somos, em uma era que respeitar requer a tolerância de todos.

Priscila Signorini Silva.