Talvez as águas de Março me afoguem numa ilusão sem fim.
Ou, simplesmente, a realidade irá se tornar um doce Novembro.
E se o mundo acabar no próximo Dezembro... bem, apenas gostaria de desaparecer com o vento.
Breve bravamente
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Frases dispersas²...
"A cada dia que passa penso no que há de vir, e logo percebo que tenho apenas o existir."
"A alma de cada um guarda o que procuramos no coração de cada comum."
Priscila Signorini
"A alma de cada um guarda o que procuramos no coração de cada comum."
Priscila Signorini
Por que se “esqueceram” dos meses anteriores?
Será que temos a idade que pensamos?
É tão fácil falar os dias de vida de um recém-nascido.
Tão poucos... e aqueles outros nove meses ou até menos em alguns casos?
Se foram com a placenta?
O fruto se dá quando ele começa.
Por que temos que recomeçar?
Foram meses do que?
De algo crescendo, se transformando e todos vendo?
Por meses, algo crescendo?
Não vejo sentido.
Cultura, qual a outra opção?
Espermatozoides são filhos. Transformam-se no útero. Mas
ainda é o fruto.
Diga-me, quem não se transforma, se transtorna?
São quantos meses perdidos? Ou são meses vividos?
Por que não contam os meses anteriores?
Por que não há honestidade com o ciclo da vida?
Se a identidade precisa de data, inclua os meses antes
da “chegada”.
O ser humano é muito mais que um nascimento contado a partir
de um choro.
Há constantes transformações, dentro e fora do casulo.
Todos seres vivos.
Vida se conta a partir da vida.
Sem regras, sem artificialidade, sem cultura.
Ser é sentir. Sentir é estar. Estar é presença.
Meu presente, poderia contar meus meses antes da “vida”?
Priscila Signorini 08/09/2013.
terça-feira, 15 de outubro de 2013
Descubra quem você é
Diga o que quiser
E se mais tarde se arrepender
Fique feliz por ter tentado.
Julgue depois de conhecer
Corrija depois de errar
Veja depois de olhar
Descubra o amanhecer.
Viva, reviva!
Pessoas vão
Lembranças ficam,
Seja para atormentar, ou apenas para aliviar.
Diga ao próximo que todos somos iguais
Existem preconceitos sociais e raciais
Mas pra quê se preocupar com coisas tão banais?
Perceba depois de observar.
Veja o que vale a pena,
Insista em quem te ama,
Mostre que você também sabe amar
Diga o que faz seu coração pulsar.
Descubra coisas novas
Experimente novas ideias
Escolha um caminho
E nele, construa seu ego.
Sinta o vento quando viajar
Sinta o calor quando esquentar
Sinta a chuva quando pingar
Sinta o coração quando se apaixonar.
Perceba que a vida não é artificial
Agradeça por ter ela
Faça por merecer
Viva, isso basta.
Relembre o passado,
Algumas vezes pense no futuro,
E nunca se esqueça
De que o presente é o seu tudo,
Mas também, o seu nada.
Diga o que quiser
E se mais tarde se arrepender
Fique feliz por ter tentado.
Julgue depois de conhecer
Corrija depois de errar
Veja depois de olhar
Descubra o amanhecer.
Viva, reviva!
Pessoas vão
Lembranças ficam,
Seja para atormentar, ou apenas para aliviar.
Diga ao próximo que todos somos iguais
Existem preconceitos sociais e raciais
Mas pra quê se preocupar com coisas tão banais?
Perceba depois de observar.
Veja o que vale a pena,
Insista em quem te ama,
Mostre que você também sabe amar
Diga o que faz seu coração pulsar.
Descubra coisas novas
Experimente novas ideias
Escolha um caminho
E nele, construa seu ego.
Sinta o vento quando viajar
Sinta o calor quando esquentar
Sinta a chuva quando pingar
Sinta o coração quando se apaixonar.
Perceba que a vida não é artificial
Agradeça por ter ela
Faça por merecer
Viva, isso basta.
Relembre o passado,
Algumas vezes pense no futuro,
E nunca se esqueça
De que o presente é o seu tudo,
Mas também, o seu nada.
domingo, 13 de outubro de 2013
Meio de meia...
Meio virada, de lata para a vida.
Meio inacabada porque sem meia não tem entrada.
Meio irritante, porque "meia boca" não come em casa.
Meio da linha, sem antes ter dado a costurada.
Meio da noite, com uma meia no pé e sem entender nada.
Esse é o meio da gente... que de tanto meio receio, nos dopamos de palavras viradas, tanta meia para o meio justificar seus fins. A meia hora que nos escapa. O meio em que tiro você para não viver sem nada. Não existe meio vento, meio bobo. Ou é ou não é. Meio termo me deixa tão no meio campo. Pareço uma encruzilhada e fico entre a cruz e a espada. Sento e olho para o meio da meia no pé sem palavras e eu meio sem entender nada, levanto e começo meio que uma caminhada, sem a meia hora passada.
Meio inacabada porque sem meia não tem entrada.
Meio irritante, porque "meia boca" não come em casa.
Meio da linha, sem antes ter dado a costurada.
Meio da noite, com uma meia no pé e sem entender nada.
Esse é o meio da gente... que de tanto meio receio, nos dopamos de palavras viradas, tanta meia para o meio justificar seus fins. A meia hora que nos escapa. O meio em que tiro você para não viver sem nada. Não existe meio vento, meio bobo. Ou é ou não é. Meio termo me deixa tão no meio campo. Pareço uma encruzilhada e fico entre a cruz e a espada. Sento e olho para o meio da meia no pé sem palavras e eu meio sem entender nada, levanto e começo meio que uma caminhada, sem a meia hora passada.
sexta-feira, 11 de outubro de 2013
Com moto de ida à modo de vida
Pelo retrovisor deixei uma rua de duas mãos. Na mão de ida,
bati contra o farol de um carro sem luz e caí na mão de volta da rua. Neste
momento levantei, sem ter clareza do que realmente havia acontecido, eu só
queria viver. Eu não entendia o porquê de pessoas se aproximando e pedindo para
me deitar, não via necessidade disso. Então, no meu segundo passo eu senti que
algo incomodava o meu andar: não era pedra, não era buraco, era o meu pé. Então
olhei e vi que algo havia me cortado profundamente, em três partes diferentes e
não era mais segredo para ninguém os meus tendões, sua exposição foi
abrangente. Minha perna também foi atingida, mas uma sutura ali já resolveria. Não
me dei ao capricho de desmaiar por perder muito sangue, eu queria estar
consciente de mim, mas sabia que a qualquer momento eu poderia ser mais frágil
que minha pressão arterial.
Sempre que via uma ambulância eu logo pensava: “Nossa...
algo de ruim acontece lá dentro.” E, naquele 11 de outubro de 2012, era eu quem
estava “lá dentro”. Não é um lugar agradável, os enfermeiros querem te distrair
e tentam fazer você pensar que está tudo bem quando você sabe que não está.
No hospital, eu só dizia que não queria perder meu pé e
chorava em minutos de desespero. Depois da anestesia, fui levada para o raio x e voltando para a
emergência, duas artérias insistiram em estourar e levar minha consciência, mas
não conseguiram e nem eu sei como. Fui para a cirurgia, com duas pinças no pé e
cinco doses de emoção no coração. E eu sentia que, dessa vez, eu teria que
adormecer e assim foi feito.
Acordar sem ter as ideias estruturadas na cabeça é um tanto
quanto ilusório. No quarto, já com a perna e o pé enfaixados, ciente, me dei ao
luxo de ver jalecos transitando pelo meu quarto e pelo corredor e aquilo me fez
sentir bem. Meu pé estava ali e eu também. Não desejava nada além da minha
recuperação: voltar para casa, se surpreender com as pessoas ao meu redor e
delas ficar dependente. Foi assim durante 30 dias, eu não me importava em ter
que fazer fisioterapia, se eu tinha cicatrizes e muitos pontos no meu pé, em
ter que tomar banho numa cadeira própria. Claro que eu queria andar, às vezes o
quarto me deixava vazia, mas nada desesperador. Eu reaprendi a dar valor nas
pessoas e nos momentos. Eu reaprendi que somos vulneráveis. Eu reaprendi a ser
grata com qualquer tipo de gentileza. Eu
aprendi que, além de viver, temos que sobreviver.
E, um ano após tudo isso ter se passado, estou aqui, sem
limitações nenhuma em meu físico, sem o veículo de duas rodas que me agarrei na
hora do acidente e com uma vontade grandiosa de viver.
Isso tudo pode parecer um mero clichê, mas tem certas coisas
corriqueiras que fogem do nosso entendimento e só quando você se esbarrar com
elas vai entender o quão profundas elas são.
Priscila Signorini.
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