Eu parei naquele instante e não soube localizar aquela
angústia que me fazia esgotar.
Eu olhei, tentei ver o que me sugava. Não vi.
Aquilo me consumia de uma forma enigmática.
Na verdade eu estava cansada.
Era desânimo físico.
Meus olhos já não se
viam mais, pois o buraco negro de minhas olheiras virou o alvo principal.
Eu queria o meu mundo de paz, queria sumir desse mundo
carente.
Não quero muito. Mas não quero pouco. Nem sou meio termo.
Mundo, eu quero você. Sempre quis.
Quero te abraçar sem ter o que esperar.
Mas quero sem meu cansaço. Eu quero estar inteira.
Quero poder conseguir te olhar sem antes minha visão
embaçar.
Quero que saia esse cansaço que me carrega, porque não
consigo andar mais com minha vontade motora.
Perco-me nesse vazio que tão pouco é visto. Não me acho aqui
dentro, me sinto perdida nesse centro.
Não sei o que vejo, descubro que não desejo mais o externo,
parece que esse buraco me cativa.
Cada vez mais. Desligo-me.
Estou mergulhando tão intensamente dentro de mim, eu queria
achar o meu eu.
Ninguém mais me vê, nem eu mesma.
Se for a vontade eu voltarei. Caso contrário, não lutarei.
Já não disfarço mais meu cansaço.
Sou algo do acaso. E se, realmente, existe acaso eu quero só
obedecer a lei natural.
Eu grito? Não me ouço mais, nem sei falar. Perdi minha
cultura. Quero um mundo que, cada vez mais, se distancia.
Eu vejo o rio negro, mas não mergulho em suas águas.
Por que quero um mundo melhor?
Eu sou melhor?
A confusão me afunda. Torna-se cada vez mais profunda.
Diga-me, qual a coerência desse texto com palavras soadas?
Necessito me redescobrir.
A porta se abre, a luz reflete tão fraca e sinto alguém me
cobrir.
Será que estou ciente de mim?